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A Kizomba e a Economia Alternativa

A Kizomba entende que a Economia Popular Solidária (ECOPOPSOL), através das organizações de geração de trabalho e renda, se coloca como uma alternativa às relações sociais de produção capitalista. Possui como característica a democratização das decisões a respeito da produção, sendo essas decisões tomadas em assembléias, onde cada trabalhador ou trabalhadora é igual aos demais, possuindo todos e todas direito a um voto. Isto afirma a não hierarquização dos diferentes saberes sobre o trabalho e, dessa maneira, rompe com a idéia de que existiriam os competentes que planejariam a produção e aqueles(as) que, por não possuírem tal competência, seriam considerados meros executores. Todos os saberes têm igual valor, não havendo conhecimento maior ou melhor do que outros, como nas cooperativas tradicionais e "coopergatos".

Compreendemos que solidariedade e transparência nas ações também são características marcantes da Economia Popular Solidária, sendo fundamental o incentivo dado à participação política de cooperados e cooperadas. O individualismo é contraposto pela construção de uma cultura coletiva baseada na compreensão e respeito mútuo. Em um momento onde o capitalismo entra em crise e mostra sua face mais perversa, deve-se impulsionar a luta por empreendimentos alternativos, tornando-se parte da formação da contra hegemonia ao capitalismo. Enquanto militantes da Kizomba temos a convicção de que a Economia Popular Solidária, através de seus valores e ações, é um instrumento fundamental para a construção do socialismo democrático.

Defendemos as cooperativas populares e as empresas recuperadas, pois elas representam uma resposta auto-organizada das e dos trabalhadores diante da crise do trabalho, gerada pelos anos do neoliberalismo. Através da organização do trabalho fundada na autogestão e na solidariedade a ECONOMIA POPULAR SOLIDÁRIA tem se firmado em nosso país, e também em outros países da América Latina, como na Venezuela, onde o Presidente Chávez criou o Ministério da Economia Solidária.
A juventude, em todos os estudos realizados, tem mostrado um intenso potencial na produção cultural e na sua organização através de novas vivências e estilos de vida. Em nosso país, é necessário um forte incentivo, através das políticas públicas que busquem qualificar e formar para o trabalho emancipado e cooperado, potencializando um conjunto de jovens, como por exemplo, o Hip Hop, que já produzem seus Cd´s, DVD´s, festivais, roupas, meios de comunicação (fanzines, grupos teatrais, páginas eletrônicas. blogs, jornais). Nesta perspectiva, a formação de Redes e Cadeias Solidárias de Produção, se opõe a atual forma de consumo desenfreado da juventude.

Assim, a ECONOMIA POPULAR SOLIDÁRIA é a resposta que combina a necessidade de geração de trabalho e renda, com a resignificação das próprias vivências dos jovens e seus estilos de vida. Ao propiciar a revalorização pessoal e a valorização de suas produções, realizando trabalho coletivo nas suas comunidades e grupos, a ECOPOPSOL abre perspectivas para o futuro, dando as bases materiais para que estes e estas jovens se sintam motivados a continuar, apostando na cultura, na educação e na sua própria formação.

A ECOPOPSOL é atualmente uma expressão de movimento da juventude, envolvendo inúmeros estudantes universitários através de programas de extensão e das Incubadoras Tecnológicas de Cooperativas Populares. Estas são projetos, programas ou órgãos das universidades com a finalidade de dar suporte à formação e ao desenvolvimento de Cooperativas Populares criadas por iniciativa de grupos de desempregados ou, que vivenciem situação de emprego/trabalho precarizado.     Dessa forma, propomos:

  • Inserção da ECOPOPSOL nos currículos universitários para que se estude a pedagogia, economia, gestão e emancipação desses novos empreendimentos, para que o conhecimento sirva a uma mudança nas relações econômicas, sociais e culturais, consolidando o Projeto de Universidade dos Trabalhadores.
  • Incorporação da Economia Popular e Solidária como ato pedagógico no ME, através da formação das Cooperativas Estudantis, para compras coletivas, trocas solidárias e geração de renda;
  • Aumento dos programas de extensão universitária, programas de pesquisa e estágios de vivência em cooperativas populares e empresas de autogestão recuperadas;
  • Incentivo da UNE à formação de Redes Solidárias de Produção Cultural;


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