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Alguma coisa está fora da ordem mundial

Desde o fim dos anos 90, assistimos a retomada de movimentos anti-capitalistas, que teimam em questionar a ordem mundial vigente. Através do Fórum Social Mundial, movimentos sociais, redes, organizações não governamentais e partidos de esquerda de todo o mundo vêm construindo convergências concretas, articuladas por uma agenda que contesta a globalização neoliberal, sob a afirmação de que Outro Mundo é Possível.

Hoje, é cada vez mais urgente afirmar qual é esse outro mundo, sobretudo porque assistimos a eclosão, de uma só vez, das crises econômica, financeira, climática e alimentar. Se de um lado, os capitalistas têm lucrado, através de especulações de todo o tipo, com a crise por eles causada, de outro, é necessário avançar numa agenda política capaz de recolocar o debate sobre qual futuro queremos pra humanidade, sendo insuficiente apenas afirmar a emergência de outro mundo. É preciso saber aproveitar o cenário de fragilidade dos organismos multilaterais e da governança global e avançar numa ampla unidade de movimentos de esquerda de todo o mundo, na perspectiva de construirmos alternativas reais e à esquerda.

Na América Latina, em particular, assistimos a retomada de processos políticos capazes de questionar de maneira mais contundente a ordem mundial, embora os contornos desse movimento ainda estejam em disputa. Depois de quase duzentos anos de “independência” das nações latino-americanas, nunca vivemos uma conjuntura tão favorável na nossa região, historicamente marcada pelas mazelas do ávido desenvolvimento capitalista, pelo domínio das elites e pela submissão ao capital financeiro internacional.

A crise de legitimidade do projeto neoliberal fez emergir um novo cenário no nosso continente, que se expressa pela recomposição de um campo social e político de diversos movimentos e ativistas, mas principalmente, por vitórias populares e democráticas, iniciadas com a eleição de Chávez em 1998 e alavancadas com a eleição de Lula em 2002, possibilitando um novo cenário, com grande potencial emancipador, que vem do acúmulo da Revolução Cubana e da experiência chilena com Salvador Allende.

As novidades do processo atual acontecem em vários países latino-americanos ao mesmo tempo e envolvem algumas das principais economias da região como Brasil, Argentina e Venezuela. Além disso, suas forças motrizes - governos, partidos e movimentos sociais - compartilham de um campo político em comum, que já logrou resultados concretos como a derrocada da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e a construção de uma agenda de Integração Regional, que, todavia, permanece em disputa. Os movimentos sociais têm construído iniciativas para pensar alternativas de integração, baseadas nos princípios da cooperação e da solidariedade e o movimento estudantil deve ser protagonista desse processo.

Há quase quarenta anos da publicação de As Veias Abertas da América Latina, onde Galeano se esvai em linhas e entrelinhas sobre a perda da soberania, o empobrecimento, o fim da autonomia da região, podemos dizer que a tormenta neoliberal já se abala frente a coragem, audácia e desejo de nossos povos. Ainda há muito que mudar e pelo que lutar. Nossas veias continuam abertas, sim, mas abertas também a desafios, mudanças, revoluções socialistas.

Segundo paragrafo

Enviado por Marxcio em 12/12/2008 01:50
Gostaria de contribuir com o segundo paragrafo do texto, creio que ficaria mais interessante dessa forma:

"Hoje, é cada vez mais urgente afirmar que outro mundo é esse, sobretudo porque assistimos a eclosão das crises econômica, financeira, climática e alimentar. Se de um lado, os capitalistas obtiveram lucros cada vez mais crescentes através da desregulamentação e da especulação nos mercados financeiro, imobiliário e outros, a crise desencadeada pelo estouro da bolha imobiliária nos EUA, traz importantes apontamentos à esquerda mundial. Se faz necessário avançar numa agenda política capaz de fomentar o debate sobre qual futuro queremos para o ser humano, sendo insuficiente apenas afirmar a emergência de outro mundo, mas sim buscar alternativas concretas para uma ordem mundial pós-neoliberal. É preciso aproveitar o cenário de fragilidade dos organismos multilaterais e da governança global e avançar numa ampla agenda de unidade dos movimentos de esquerda do mundo, na perspectiva de construirmos alternativas reais e à esquerda."


Marcio Moraes
Estudante de Relações Internacionais
Kizomba/SP
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