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Brasil - muitas lutas em 2009

Uma das marcas importantes de 2009 será a crise financeira que estourou em 2008 e deve se prolongar por um bom tempo ainda. Certamente, essa crise interferirá nas lutas do movimento social. A crise estourou nos EUA, a partir do financiamento imobiliário, e logo se expandiu para outros países, para outras áreas da economia, e já chega ao setor produtivo. As conseqüências mais sensíveis devem uma alta nos preços de produtos básicos (commodities), que se acentua, no caso de alimentos, a redução do crescimento e a inflação.

Para nós, também importa, já que estaremos, outra vez, imersos numa dura disputa. Há aqueles que se concentrarão em torno das teses de redução de “gastos sociais” e mais medidas conservadoras para conter a crise. Essa crise terá impactos menos pesados sobre o Brasil do que terá sobre outros países, pois o país não reza mais pelo ideário neoliberal hegemônico no período anterior. Isso permitiu que o país fortalecesse sua economia podendo enfrentar essa crise com menos vulnerabilidade.
Certamente, entre as possibilidades de saída, muitas se referirão ao atual estágio da globalização capitalista que conhecemos. Para superar este momento o ME precisa estar organizado para engrossar um dos lados dessa disputa de agenda que se colocará: o lado que quer que as teses da esquerda saiam fortalecidas dessa crise.
Para construir uma nova correlação de forças na sociedade brasileira

Há que se registrar a correta opção encaminhada pela UNE de organizar a disputa do Governo Lula. As posições contrárias a isso foram jogadas ao isolamento e têm espaço político reduzido entre os lutadores sociais. Disputar o Governo Lula, guarda a autonomia da entidade e ainda sem prejuízos a um olhar crítico sobre muitas áreas, nos permitindo conquistar avanços importantes para a educação brasileira, para a universidade e para o país. Estamos num patamar mais favorável para lutar pela ampliação de direitos. Não vamos baixar o tom da luta, pelo contrário: temos que seguir mobilizados(as) para avançar muito mais.

Por isso que a UNE, em seu projeto de reforma universitária, a ser aprovado neste CONEB, deve apresentar uma proposta de reformulação do modelo de universidade, indo no sentido de democratizar o seu acesso e sua gestão, fortalecendo a graduação, aumentando o investimento para a permanência dos estudantes e modificando a lógica da produção acadêmica que encontramos nos cursos de pós- graduação.

Nesta conjuntura, em que temos a perspectiva de mudanças reais no ensino superior brasileiro, a UNE deve pautar a sua atuação em 2 eixos: formulação e mobilização. A formulação de um projeto transformador da universidade se torna essencial para apresentarmos uma alternativa ao que está colocado, contudo, sabemos que enfrentaremos forte oposição dos setores mais conservadores da universidade e daqueles que lucram com o ensino. Assim devemos ter a capacidade de mobilizar e de ocupar as ruas para que este projeto seja implementado de fato.

Alguns temas da conjuntura são estratégicos para nós. São oportunidades que o movimento social organizado precisa construir para se fortalecer e alterar a correlação de forças na sociedade brasileira hoje, abrindo espaço para a realização de necessárias transformações.

  • REFORMA POLÍTICA: o ME deve defender uma reforma política que combata os vícios que o sistema político-eleitoral brasileiro segue sustentando. Para isso, o Congresso Nacional deve convocar uma Constituinte exclusiva para esse fim, entendendo que um poder não pode se auto-reformar em condições triviais.  A reforma política deverá estabelecer mecanismos de combate ao clientelismo e à corrupção, bem como fortalecer a disputa político-ideológica contra a compra de votos e do coronelismo, por exemplo. Isso se concretiza com o financiamento público de campanhas, combinado com o voto em lista partidária (não mais voto nominal para o parlamento).
  • DEMOCRATIZAÇÃO DAS COMUNICAÇÕES: Uma sociedade verdadeiramente democrática deve garantir o direito à comunicação. Incentivar e regularizar as rádios comunitárias em vez de criminalizá-las; enfrentar a formação de grandes monopólios; e estabelecer o controle público dos meios de comunicação de massa – garantindo o caráter público das concessões de rádio e TV – são aspectos fundamentais para a consolidação da democracia brasileira.
  • PARTICIPAÇÃO POPULAR: A criação e fortalecimento de instrumentos de democratização da gestão é essencial para o fortalecimento das lutas populares. Através da participação popular, o governo devolve a soberania para o povo que o elegeu, destacando-o como seu interlocutor na construção das políticas e se valendo de outro modelo de governabilidade, assentado em valores democráticos.
  • COORDENAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS (CMS): Pela dimensão da luta política que se avizinha, o ME precisa estar fortalecido e profundamente enraizado. Assim, articulado com outros movimentos a partir da CMS, afinar o coro dos descontentes e trabalhar para que o resultado final desta batalha atual seja de vitória dos que lutam e sonham.


Primeiro Paragrafo

Enviado por Marxcio em 12/12/2008 02:02
"As conseqüências mais sensíveis devem uma alta nos preços de produtos básicos (commodities), que se acentua, no caso de alimentos, a redução do crescimento e a inflação".

Creio que há um equivoco nessa parte do texto, os preços das commodities estão caindo devido a crise econômica, um exemplo claro disso é a queda no preço do barril de petróleo.

E com a redução do crescimento econômico e até mesmo a recessão nos EUA e na União Européia a tendencia é que aja uma desaceleração da inflação e não um recrudescimento desta.

Cordialmente,

Marcio Moraes
Estudante de Relações Internacionais
Kizomba/SP
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