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Campanha: Por uma educação sem Racismo

O racismo se revela nos espaços onde há poder, como na mídia, na escola, na política, na saúde, no mercado de trabalho. Nestes segmentos, ele é construído a partir de um fenômeno de dominação cultural. Para ser racista é preciso, antes de tudo, ter poder. No Brasil é o grupo branco que domina todas as instâncias de poder seja econômico, político, cultural, intelectual, etc. Nestes segmentos, de acordo com as estatísticas, os indivíduos brancos encontram-se numa situação de vantagem. É óbvio que no Brasil os brancos não são vítimas de racismo.

Sendo assim, do ponto de vista histórico, cultural e social não há nenhuma probabilidade de que brancos no Brasil sofram de racismo. Os brancos poderão ser vítimas de preconceito, de discriminação, mas nunca de racismo. No caso do Brasil mesmo havendo algumas exceções de negros que conseguem ter ascensão, pode se notar que extrema maioria da população que possui acesso aos itens citados é a branca. A elite teima em usar esses exceções para camuflar os problemas sofridos pela população negra.

É principalmente a partir da utilização da educação que esse processo de dominação pode acabar. Precisa-se construir mecanismos de afirmação da cultura, origem, beleza e sabedoria africana nas escolas e universidades. É necessário também que, tal como a filosofia e sociologia, a história da África deve ser estudada com matéria obrigatória nas escolas e universidades. Alguns professores já percebem a necessidade dessas matérias, mas ainda precisamos consolidar essa lei enquanto instrumento federal e fiscalizá-la. 

É tempo da UNE ocupar as Universidades contra o racismo na educação brasileira.

Por uma Educação afirmativa


Há algum tempo atrás, a militância provoca os setores do governo reivindicando e lutando por reparações a partir de demandas histórias sofridas pela população negra,  principalmente no que tange a educação.  Hoje, uma parte da juventude negra já se beneficia da luta de alguns militantes negros e negras do país.

Contra a vontade de alguns o povo negro está ocupando as universidades do Brasil,  seja pelas cotas ou pelo PROUNI. Temos que fazer um balanço crítico, mas identificando o novo momento e as vitórias que temos até aqui. Temos que pensar essas políticas como transitórias, mas emergências. Não podemos nos deixar levar pelo truque do "primeiro temos que melhor a escola pública" porque esse argumento continuaria nos deixando de fora da universidade e quem tem fome quer comer hoje.

Para o próximo período temos que intensificar a luta pelo aumento do número de negros que ingressam nas IES. Com uma nova geração de médicos, administradores e tantas outras profissões com mais prestígios, teremos sem dúvida uma melhoria na participação dessa população historicamente excluída no país. Essa pressão pela diversidade no mercado de trabalho vai aumentar, fazendo com que haja mais produtos, consumo e investimento na  diversidade.
 

Reserva de Vagas e cotas


O período da escravidão institucionalizada durou 350 anos produziu riqueza para o país à custa de tortura e maus tratos. Ainda consideramos mais 120 anos de uma abolição falsa, já que a escravidão ocupou outras formas para se perpetuar.

É óbvio que não se pode mais falar na existência de raças humanas do ponto de vista biológico. Raças não existem, mas o racismo sim, pois o racismo é entendido como processo de "dominação" e de hierarquização de um grupo sobre outro. 

Contudo, é pertinente contrapor as análises sobre os problemas da população negra numa perspectiva somente da pobreza, porque corrobora para impedir a observação do fenômeno e das perversidades do racismo no Brasil. Segundo o IPEA, 2001 a pobreza traz muitos obstáculos, mas, garante aos "brancos pobres", três vezes mais chances de não continuar pobres quando comparado aos negros na mesma situação de pobreza.

Nós que lutamos contra o racismo estamos nos referindo aos princípios fundamentais da nossa sociedade: democracia, liberdade, igualdade e interação. Discute-se a necessidade da democratização do poder e a contraposição as formas de hierarquização das diferenças pelas relações raciais.

Na maioria das vezes, por causa da má qualidade do ensino público, a juventude negra fracassa ao prestar vestibular, e as vagas são preenchidas por estudantes da rede particular. No projeto de reserva de vagas, 50% das vagas em universidades federais e instituições públicas de educação profissional e tecnológica serão reservadas para estudantes que tenham cursado integralmente o ensino fundamental em escolas públicas. Mas esse projeto possui algumas brechas perigosas.

O argumento de melhorar a educação básica e fundamental vai incluir os negros e negras uma estratégia de manutenção da ordem racista. Ora, o ensino fundamental do Brasil já foi muito melhor, formou os médicos, políticos e engenheiros que hoje administram o país, e nessa época a quantidade de negras e negros na universidade também era pequena, menor que hoje.

Bem, a elite pode, para obter as vagas reservadas, matricular os seus filhos nas escolas públicas e continuar pagando os cursinhos. Mas essa lacuna pode ser perigosa, pois a com a melhoria da qualidade do ensino, sem pensar assistência para manter os estudantes nas escolas, ela poderia ser mais uma vez de poucos. Com essas variações os filhos da população negra seriam jogados para fora da escola, afinal,  é muito difícil competir com quem tem lazer, boa alimentação e não precisa ir trabalhar precocemente. 

Em paralelo a política de reserva de vagas deve-se melhorar o ensino médio e fundamental. Além disso, a reserva deve vir somada a cotas raciais, a partir da especificidade da cidade/região onde a Universidade se localiza. As cotas são medidas emergenciais para reparar os problemas causados a população negra.

População negra no mercado de trabalho


Para manutenção dos poderes da elite branca brasileira foram criados mecanismos com os quais conseguiram garantir perpetuação da mão de obra barata até os dias de hoje. Organizar o sistema para que os filhos da elite tenham acesso a educação, cidadania, lazer e melhores trabalhos, em detrimento das outras camadas da população. Essa é a cruel fórmula da manutenção do capitalismo no Brasil. A escravidão nos tempos de globalização se dá através de leis trabalhistas que na prática não garantem condições de ascensão da população negra.

A população negra se insere no mercado de trabalho brasileiro de forma prejudicada em relação à população não-negra: as taxas de desemprego são maiores entre os negros, que recebem salários mais baixos, ocupam cargos mais vulneráveis e passam mais tempo à procura de emprego.

Saúde da População negra


Para combater o racismo no SUS, a política de saúde nacional deve perceber algumas questões que podem salvar vidas. Existem indicadores de que o  atendimento aos negros é diferente do atendimento aos não-negros. Por não quererem tocar, os médicos deixam de agir na prevenção de câncer de mama e de útero. As parturientes acabam recebendo até menos anestesia, sob o argumento de que as mulheres negras seguram mais a dor. No final, essas pessoas acabam morrendo de doenças controláveis como a anemia falciforme (causada por uma modificação nas células do sangue) e a hipertensão arterial, que têm alta incidência neste segmento da população negra.

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