Democratização da Universidade
Democratizar a universidade significa, antes de tudo, reconstruir o modelo de ensino superior brasileiro.
Antes de qualquer debate devemos nos perguntar: por que fazemos um curso superior? Se levarmos essa pergunta a grande massa de estudantes universitários ou aqueles que gostariam de estar nos bancos do ensino superior a resposta que encontraremos provavelmente será: "para garantia de melhores salários, ou melhores empregos, ou melhores condições de vida". Invariavelmente a resposta estará dentro de um contexto onde o estudante quer ser patrão de alguém. O pensamento sobre o porquê do ensino superior, bem como a sua organização, continua na lógica da formação de uma elite (intelectual ou mandatária) que dominaria os setores menos "educados" da sociedade.
Universidade para que(m)?
O modelo educacional brasileiro é propedêutico (LDB), ou seja, a principal função é preparar o estudante para os conhecimentos e habilidades exigidos para a série seguinte. No ensino superior, as grades curriculares em sua maioria, são construídas para que exista uma assimilação crescente de habilidades para o exercício da profissão. Queremos frisar aqui o uso da palavra profissão. Sim, pois desde o começo do curso há uma pressão para que se veja conteúdos "úteis" a carreira escolhida.
É inconcebível que passados 8 anos do século XXI, com a globalização da informação inundando a vida das pessoas, nosso modelo de ensino superior continue preso ao modelo fordista do começo do século passado. Esse é o paradigma que deve ser vencido. Os cursos de humanas não contemplam disciplinas científicas, esses por sua vez não abordam as humanidades. Os cursos de saúde conseguem localizar problemas minúsculos no paciente, mas seus alunos não são incentivados a, ao menos, saber o nome desse paciente.
O movimento estudantil deve voltar a defender, com toda a força, um sistema educacional calcado no tripé técnico-científico-humanista. Queremos antes de tudo melhores pessoas e não apenas melhores profissionais.




