Kizomba 10 anos de luta no movimento estudantil – Valeu Zumbi!
O convite à festa das nossas lutas celebra seus 10 anos. Renovamos o convite aqueles e àquelas que dedicam parte importante das suas vidas em defesa de um mundo igualitário, sem exploração, sem machismo, racismo ou homofobia. Em lugar de paralisia, queremos movimento, no qual os sonhos e as lutas caminhem juntos rumo ao socialismo democrático.
Como fazemos há 10 anos apresentamos a primeira versão da nossa tese, escrita por várias mãos, que será discutida, alterada e sintetizada por meio de debates em todas as regiões do país. Isto, portanto, é um convite para que suas mãos contribuam também para a nossa formulação coletiva. Em tempos de individualismo, as ações coletivas contribuem para construir uma cultura política diferente.
Trazemos aqui não apenas a luta por uma universidade democrática e emancipadora, mas também por uma sociedade socialista que caminhe para um mundo justo e fraterno. Pensar nosso projeto de universidade exige saber que tipo de sociedade queremos construir.
A Nova Cultura Política que sempre afirmamos ser necessária deve privilegiar a construção coletiva, a democracia, a participação, reafirmando que somos militantes de esquerda, socialistas e internacionalistas. Isso significa dizer que somos construtores e construtoras do Fórum Social Mundial, da Marcha Mundial das Mulheres, da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), e que temos nossa atuação cotidiana pautada pela construção desta nova sociedade.
A UNE é um desses instrumentos de luta por outra sociedade e a principal ferramenta do movimento estudantil brasileiro. Democratizá-la e torná-la mais combativa é um passo fundamental. Para isso é preciso mudar também as práticas e os valores do movimento estudantil em todos os espaços, desde o Centro Acadêmico até a organização dos nossos encontros e atos públicos. Disputamos não apenas a direção da UNE, mas uma nova forma de fazer política .
Um tempo de possibilidades
Vivemos tempos mais democráticos. Não podemos confundir os tempos da ofensiva neoliberal, da expansão e fortalecimento do setor privado, do sucateamento da universidade pública, com nossa atualidade. A pressão da UNE, aproveitando um contexto favorável à ofensiva dos movimentos sociais e populares na América Latina e no Brasil, resultou em mais educação pública. Mas ainda há muito para ser superado da destruição causada pelo período neoliberal. Para isso precisamos ter capacidade de formulação e de luta política. As forças reacionárias ainda estão vivas na sociedade e na universidade, e, por isso, é central que a construção de nossas sínteses políticas apontem para uma plataforma de luta dos estudantes. Nós queremos fazer história, construir a unidade com quem quer influir nos rumos das nossas vidas.
Para a Kizomba a Reforma Universitária da UNE deve ter em vista a construção de uma universidade ligada a um projeto de nação, que deve ser de todas as cores e raças, popular e democrática, sendo parte da superação das opressões, do machismo, da homofobia, do racismo, ecologicamente correta, uma reforma anticolonialista, anticapitalista, que busque ser socialmente referenciada.
Essas transformações só serão possíveis com um Nova Cultura Política dentro e fora dos muros da universidade e com mudanças na política econômica. Reivindicamos o fortalecimento do tripé ensino – pesquisa – extensão para termos uma universidade que cumpra seu papel social.
Nós, do movimento Kizomba buscamos através destas páginas apresentar nossas contribuições para a construção de uma reforma universitária dos estudantes, que seja elaborada com os demais movimentos sociais e que aponte novas perspectivas para a educação em nosso país. Acreditamos que as propostas para a Universidade que queremos deve ser instrumento de luta e patrimônio dos estudantes e não apenas de um grupo político.




