Nossos desafios para o combate ao machismo!
A opressão das mulheres tem base material, a divisão sexual do trabalho, que hierarquiza as relações entre os gêneros e organiza aspectos sociais, vivências particulares, símbolos, representações que sustentam essa opressão. A transformação da vida das mulheres está indissociável da transformação do mundo, a consigna "mudar a vida das mulheres para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a vida das mulheres" reflete a forma de enxergarmos os nossos desafios.
Ter a compreensão de que a opressão se sustenta na nossa linguagem, nas nossas relações pessoais, ou seja, na nossa cultura é fundamental para organizarmos nossos instrumentos de transformação. Um dos aspectos importantes é a educação que é um campo de reprodução dessas desigualdades. A socialização dos meninos e meninas em casa e na escola desenvolvendo habilidades e legitimando a construção do quê é ser homem e ser mulher. A construção de um projeto pedagógico não-sexista que eduque para a igualdade e libertação é uma das principais bandeiras de luta das mulheres feministas da UNE.
Na sociedade em que vivemos, o reconhecimento da mulher está relacionado ao seu peso e proximidade do padrão de beleza. Os meios de comunicação e publicidade consolidam essa imagem da mulher "perfeita" ligada a um determinado padrão de corpo vigente. Nas universidades, isso é expresso nos cartazes de divulgação das famosas "calouradas" onde é retratado o "modelo" de mulher. Em conseqüência disso, cada vez se tornam mais freqüentes os transtornos alimentares, como anorexia e bulimia, entre as jovens.
"Nosso corpo nos pertence" expressa a luta das mulheres por autonomia denunciando o controle dos homens, Estado, instituições religiosas e mercado sobre o corpo e a sexualidade feminina. Esse controle se dá de diversas formas, como a imposição de um padrão de beleza e feminilidade, imposição da maternidade como destino natural e obrigatório ou estratégias do mercado, como a medicalização do corpo das mulheres, imposição do consumo como instrumento de satisfação das necessidades pessoais e de alívio das angústias e dores da existência.
Por uma Educação Não Sexista
O ensino deve servir a emancipação das consciências, deve servir à extinção de toda forma de preconceito e discriminação. Os currículos acadêmicos e métodos pedagógicos devem incorporar o debate de gênero, ou seja, da construção social do que é ser mulher e homem, como um tema transversal.
As indústrias farmacêuticas, de alimentação e cosméticos financiam e direcionam suas linhas contribuindo para manutenção do padrão de feminilidade e opressão das mulheres. Essa é mais uma frente de atuação das feministas nas universidades. A educação deve ser financiada e regulada pelo Estado para de fato ter autonomia na produção de conhecimento.
Políticas de assistência estudantil específicas para as mulheres
A evasão de mulheres é maior que a de homens no ensino superior, diferente do ensino básico. As políticas de assistência estudantil, ou seja, políticas que garantam a permanência das e dos estudantes na universidade, precisam compreender essa distinta realidade. Uma de nossas bandeiras são as creches nas universidades junto com moradia, bibliotecas, restaurantes universitários, laboratórios, transporte, segurança para garantir a permanência das estudantes com qualidade para vivenciar a vida universitária de forma plena.
Legalizar o aborto! Direito ao nosso corpo!
Ser mãe não deve ser um destino obrigatório das mulheres, deve ser uma escolha, uma possibilidade para as mulheres. Ser mãe implica mudanças no aspecto físico, emocional, no projeto de vida da mulher. Uma gravidez não pode ser uma imposição.
A criminalização do aborto não impede que as mulheres interrompam uma gravidez indesejada, apenas coloca essa experiência na clandestinidade e expõe as mulheres mais pobres a riscos para sua vida e saúde.
Se o aborto clandestino traz risco para a vida e saúde das mulheres, esse risco é maior quando a situação é de pobreza. As mulheres ricas têm acesso a clínicas particulares, mas as pobres, submetem-se a procedimentos inseguros, sozinhas ou com pessoas sem as habilidades necessárias, em ambientes que não cumprem com os mínimos requisitos médicos, ocasionando diversas complicações como infecções e inclusive a morte. Reivindicamos o direito a vida! O aborto deve ser legal e garantido pelo Sistema Único de Saúde!
As mulheres e o movimento estudantil
Conquistas importantes para a construção das mulheres já se deram, como a aprovação de cota de 30% para mulheres na direção da entidade, porém as contradições continuam existindo e reforçam a importância da auto-organização das mulheres do movimento estudantil.
Em 2005 realizamos o I Encontro de Mulheres Estudantes da UNE (EME). Apesar de não ser um fórum deliberativo, os EMEs são um instrumento de formação e formulação da agenda feminista da UNE. Mobilizam centenas de estudantes e organizam nossas ações políticas prioritárias. No II EME encaminhamos a Campanha Pela Legalização do Aborto que se tornou uma das principais frentes de luta da atual gestão.
A UNE participou ativamente de debates relacionados a esse tema e denunciou, junto com o movimento de mulheres, a perseguição a que estão submetidas milhares de mulheres por todo o país. O lançamento da Frente Nacional Contra a Criminalização das Mulheres e Pela Legalização do Aborto no dia 27 de setembro foi um marco. Devemos potencializar essa articulação através do fortalecimento do blog da Frente, através de atividades unitárias no Fórum Social Mundial. Outra proposta importante que a UNE também deve protagonizar é a convocação, junto com o movimento de mulheres, de uma plenária nacional dos movimentos para debater legalização do aborto.
Por fim, a Bienal de Arte e Cultura da UNE deve ser reflexo das relações que queremos construir no Brasil, deve também evidenciar a trajetória das mulheres na formação do povo brasileiro. Realizaremos plenárias, oficinas e intervenções diretas no espaço chamando a reflexão a construção de um espaço de cultura que reflita e combata a opressão a que as mulheres estão submetidas.




