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PROUNI

Quando de sua criação em 2004, o PROUNI foi alvo de duras críticas por parte do movimento estudantil. Mas hoje o Programa é uma realidade e responsável pela inclusão de camadas populares na universidade brasileira, mudando sua cara.

Desde 2005 já foram 430 mil bolsas distribuídas. Das 430 mil bolsas distribuídas, 300 mil, 70%, foram distribuídas para estudantes com renda familiar igual ou inferior a 1 salário mínimo e meio. Isto é, o movimento estudantil finalmente tem a condição de dialogar com as necessidades de um setor que historicamente esteve fora da universidade.

 O MEC exige que 10% da receita anual das instituições que aderirem ao programa sejam aplicados na concessão de bolsas. Sem dúvida trata-se de um passo no sentido do controle público sobre os recursos públicos, algo que caminha na contramão do discurso sobre o aprofundamento do projeto neoliberal. Um grande problema é que a filantropia que as universidades comunitárias precisam provar, o PROUNI representa apenas 20% da sua receita bruta, ou seja, ele regulamenta uma parte da renúncia fiscal, e o restante continua fluindo para as IES privadas.

Uma vez que o discurso legitimador do repasse de verbas públicas para as instituições privadas é o de que elas cumprem uma função pública que o estado não consegue cumprir, temos que responder com a exigência de controle público sobre esse repasse. Essa reivindicação se torna ainda mais oportuna no momento em que o conceito de público-não estatal é colocado em evidência por importantes setores do ensino pago.

Precisamos também cobrar do Estado responsabilidade no oferecimento de vagas em universidades de qualidade, e não em faculdades, não comprometida com tripé ensino, pesquisa, extensão. O Estado é responsável pela qualidade de educação oferecida pelas bolsas do Programa, e por isso, não deve oferecê-las em instituições que só visam lucro.

Ainda que seja um programa que venha contribuindo para democratizar a educação superior, oferecendo possibilidades de estudos a pessoas que antes nunca tiveram a possibilidade de sonhar com a mesma, o PROUNI deve ser uma política datada, na medida em que objetivamos que todos tenham a possibilidade de estudar no ensino superior público.

A UNE precisa retomar sua luta dentro do PROUNI e não apenas se colocar numa defesa ufanista do programa. Enquanto movimento social precisa organizar uma agenda de reivindicações diante do PROUNI. Infelizmente os encontros dos estudantes prounistas nos estados não deram conta de organizar uma avaliação mais crítica do Programa e assim construir luta diante das deficiências dessa política. Pelo contrário, apenas apontam para os pontos positivos do Programa, perdendo a oportunidade de construir avanços dessa política.

O movimento estudantil deve ter capacidade de construir política a partir do elemento estrategicamente mais importante do programa, que é exatamente o caráter proletário do segmento atingido pelo benefício. Para cumprir função de movimento social a UNE deve estar construindo uma pauta que organize esse setor para a luta, como a da assistência estudantil, totalmente ausente nas privadas.

Transformar nossa intervenção política em apenas elogios ao programa é renunciar a disputa por hegemonia em um período de intensas disputas na educação superior brasileira. Acreditamos que este momento de crise do ensino privado deve ser encarado como uma oportunidade de superação do modelo pago. Para nós, as instituições que aderirem ao programa devem ter:

  • Comissões paritárias da comunidade universitária para controle da totalidade das verbas repassadas pelo estado;
  • Mais ofertas de vagas e, instituições com ociosidade superior a 10%;
  • Auditorias públicas nas instituições que aderem ao PROUNI. O Estado não pode estabelecer parcerias com instituições comprometidas em sua probidade;
  • Democratização das IES que aderem ao PROUNI; a universidade deve ter compromisso em realizar e ampliar sua democracia interna;
  • Assistência estudantil obrigatória nas universidades que aderem ao Programa.
  • Bolsas do PROUNI oferecidas em universidades que desenvolvam ensino, pesquisa e extensão, sem fins lucrativos.

Responsabilizar as IES Pagas

Enviado por Liliane Oliveira (BA) em 02/01/2009 21:03
O PROUNI é imprescindível para a configuração atual da parcela de cidadãos que estão nas Universidades/Faculdades.

As IES que recebem os recursos públicos devem ser auditadas regularmente.

Não deve existir diferenciação por conta da situação de bolsista do estudante, exemplo de diferenciação dado pela Universidade Católica do Salvador (UCSal) ao separar os bolsistas dos demais estudantes e de oferecer-lhes grades curriculares e professores defcitários.

Alguém sabe como a conta para oferta de bolsas PROUNI é realizada? Na UCSal é pela quantidade de estudantes adimplentes, tipo: 10 adimplentes x 1 bolsa PROUNI. E, até hoje, não sei como a conta é feita em outras instituições... Por um critério nacional baseado na quantidade de estudantes matriculados!

Acredito que uma forma fazer valer a implementação plena do PROUNI e responsabilizar as IES de seu papel na sociedade é a obrigatoriedade destas a cada bolsa PROUNI a IES deve oferecer outra bolsa a partir de seus recursos próprios e através de seleção pública amplamente divulgada.

Saudações,

Liliane Oliveira
Estudante de Serviço Social - UCSal
Diretoria de Cultura UEB
Instituto CUCA da UNE

Constitucionalidade do ProUni

Enviado por Julio Yamamoto em 10/01/2009 04:06
O ProUni foi alvo de Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs 3330, 3314 e 3379), tendo como requerentes a Confenen, o partido Democratas e a Fenafisp, respectivamente.

No dia 02 de abril de 2008, o ministro do Supremo Tribunal Federal Carlos Ayres Britto votou pela constitucionalidade do Programa Universidade para Todos.

Em seguida, o julgamento foi interrompido pelo ministro Joaquim Barbosa, que pediu vista do processo.

É importante que o movimento estudantil divulgue e discuta estas ADIs, pois o julgamento destas estarão na pauta do STF em 2009.

Sds,

Julio Yamamoto
estudante de direito

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