Quero decidir por inteiro
Como é possível lutar pela democratização da universidade sem mudar a forma de representação das várias categorias docentes, democratizando a representação estudantil de 1/10 para 1/3? Papel básico na luta pela democratização da universidade cabe não só às Associações dos Docentes Universitários como também a todas as organizações estudantis a nível de institutos, universidade que, desatreladas da burocracia estatal “tomem a palavra”.
(Maurício Tragtenberg 1980)
Parece-nos claro, hoje, passados 28 anos, que somente o direito ao voto não significa mais democracia. Sabemos que os Conselhos Universitários estão longe de serem espaços de debate legítimo, pois neles não há garantia de participação, nem de número de membros, nem possibilidade de discussão sobre os temas. Na maioria das universidades públicas tanto os fóruns deliberativos, como os conselhos universitários, quanto às eleições para reitores e coordenadores de cursos tem a representação obrigatória de 70% para os professores. Essa porcentagem legitimada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Isso significa que a representação estudantil, muitas vezes, fica restrita à 10%. As eleições para reitor ainda são realizadas de forma indireta, através de uma consulta, onde o presidente da república empossa o candidato da sua escolha a partir de uma lista tríplice dos que receberem o maior número de votos.
A autonomia universitária praticada de forma plena e a construção democrática dos projetos elaborados nas instituições de ensino superior só se tornam possível se a tomada de decisão no seu interior for reflexo de mecanismos mais avançados de debate, que dêem conta de envolver todos os segmentos da comunidade universitária e a própria sociedade.
Por isso, de nada adianta um Conselho ser paritário se as reuniões são feitas em horários onde estudantes não podem participar devido à aula ou trabalho. A democracia é mais do que apenas poder opinar. É poder opinar com a certeza do que está falando. É poder decidir pela sua própria consciência. Para isso o movimento estudantil deve exigir que se construam formas de participação mais qualificadas como qualificação dos conselheiros e representantes, exigência de que as reuniões sejam em períodos onde ocorra ampla participação e mais importante, as entidades sejam assessorar tecnicamente para os enfrentamentos políticos desses conselhos, e não fazer o papel das pessoas que recebem bons salários para fazer isso na instituição.
Inibir a ampla participação da comunidade acadêmica e da sociedade, nos rumos da universidade, significa a continuidade de um projeto autoritário para a universidade que ataca a sua autonomia e a impede se engajar na solução dos grandes desafios nacionais.





Modificar a LDB
Para fazer valer a paridade é necessário lançar a campanha "2 milhões pela paridade". A proposta é fazermos um projeto de lei de iniciativa popular (é necessário a assinatura de 1% dos eleitores brasileiros) para a inclusão da divisão paritária em todos os órgãos colegiados das universidades.