Soberania Alimentar
O século XX, em nível internacional, marca as discussões sobre a problemática social da alimentação. Essa problemática era discutida, inicialmente, apenas em situações extremas como em casos de escassez, guerras ou catástrofes. Esse debate dá origem a FAO, e com isso origina-se também o conceito de segurança alimentar.
Em 1974 a ONU organiza a conferência Mundial de Alimentos, o que ajuda a consolidar mundialmente esse conceito. É baseado neste conceito, que nesse período, se efetiva uma política ditada pela revolução verde. Em nome dessa revolução e da produtividade vimos a intensa utilização de insumos, fertilizantes e agrotóxicos. Tudo isso transforma a alimentação em mercadoria e não um direito. Essa mercantilização forçada pela indústria alimentar se intensifica com o neoliberalismo. Exemplo disso é a liberação dos transgênicos, com a justificativa de acabar a fome no mundo.
É então em meados da década de 90 que os movimentos sociais, em especial a Via Campesina, começam a reconstruir esse debate do direito a alimentação. Com esse novo debate surge assim o princípio da soberania alimentar, como uma estratégia de enfrentar as políticas neoliberais de transformação da comida em mercadorias.
A soberania alimentar é o direito dos povos de decidir sobre suas políticas agrícolas e alimentares, defender seus costumes alimentares da hegemonia capitalista, poder definir – a partir de cada povo – o que produzir, trocar e consumir livre de qualquer pressão política, militar ou econômica. Soberania é recolocar a sustentabilidade da vida humana – e não do mercado – como central na economia. A soberania alimentar é parte da soberania dos povos.
Essa soberania é cotidianamente construída a partir do conhecimento popular e assim também da produção de alimentos em harmonia com as características climáticas de cada da região, priorizando o comércio local e de acordo com a cultura camponesa.
Garantimos essa soberania quando visibilizamos o trabalho das mulheres na produção e distribuição dos alimentos e com isso possibilitar a desconstrução da divisão sexual do trabalho e com isso construir a socialização desse trabalho.
O dever de construir e proteger a soberania alimentar é um dever de todas as pessoas, organizações, movimentos sociais, universidades e governos. A universidade, em particular, deve incentivar a produção de conhecimentos e pesquisas que contribua e fortaleça a soberania.
Nossas propostas:
- Lutar incessantemente pela Soberania Alimentar como parte da soberania dos povos;
- Lutar contra o avanço dos transgênicos no Brasil;
- Fortalecer a economia solidária para fortalecer a soberania alimentar e a soberania dos povos.





crise dos alimentos e biocombustiveis
Marcio Moraes
Estudante de Relações Internacionais
Kizomba/SP