Projeto de Reforma Universitária
Projeto que foi discutido e aprovado no 12º CONEB
1 - Projeto de Reforma Universitária dos Estudantes Brasileiros
A universidade brasileira vive momentos decisivos e é dever da
União Nacional dos Estudantes, de todos os estudantes brasileiros,
estarem a frente das lutas pelas mudanças necessárias na construção de
uma Universidade comprometida com as transformações no Brasil na
construção de uma sociedade mais justa, igualitária e solidária. Neste
sentido apresentamos propostas concretas a serem defendidas e
conquistadas através de nossa luta, em todos os espaços de atuação
dentro da Reforma da Educação Superior.
1 - Autonomia Universitária
A Universidade para
cumprir sua missão de produção, democratização e difusão do saber, do
desenvolvimento científico e tecnológico, necessita de plena autonomia
para definir o seu projeto didático-pedagógico, gerir a instituição e
para promover o livre debate de idéias, somente possível em ambiente
democrático. Essa autonomia deve estar intimamente ligada aos objetivos
de elevação cultural, econômico e social da nação. Por isso seu
exercício depende do princípio da indissociabilidade entre
ensino-pesquisa- extensão, de forma que as atividades universitárias
tenham vinculação concreta com os problemas do povo e que a ele seja
prestado contas de sua produção.
Nas universidades públicas discutir autonomia plena nos remete a
necessidade de existir um financiamento regular e público, destas
instituições, entendendo que a autonomia que defendemos é a de "gestão"
financeira e administrativa a partir da garantia de um orçamento
global, reafirmando o compromisso do Estado com a manutenção do sistema
público de educação. Assim como o pleno exercício democrático com
eleições livre, diretas e paritárias (estudantes, técnico-administrativos e docentes) dos dirigentes universitários e nos órgãos colegiados.
Nas universidades privadas discutir autonomia passa por entender
de quem é a prerrogativa de exercê-la, ou seja, deve ser garantida a
independência das mantidas em relação às mantenedoras. Entendemos que a
prerrogativa é da instituição educacional, que deve debater
democraticamente com representação paritária da comunidade acadêmica
seus rumos e objetivos estratégicos.
Para que isso seja verdadeiro, é necessário conter a ação de
mantenedoras e dos proprietários das instituições, através de normas
gerais que complementem a autonomia universitária garantida no artigo
207 da Constituição Federal, recuperando a capacidade do poder público
de regulação do setor privado.
PROPOSTAS:
- Garantia de autonomia didática, científica, pedagógica, de gestão financeira, administrativa e patrimonial;
- Normatização do artigo 207 da Constituição Federal, através da aprovação de um Estatuto da Autonomia para as Universidades Publicas, e Regulamentação para as Universidades Privadas, garantindo a autonomia das mantidas sobre as mantenedoras.
- Lutar pela garantia de implementação do princípio da indissociabilidade entre ensino-pesquisa- extensão e garantia de liberdade de pensamento, produção e circulação do saber;
- Restrição total do capital estrangeiro nas universidades pagas;
- Contra a finaceirização da educação e especulação na bolsa de valores;
- Fim das fundações privadas de apoio nas universidades públicas!
2.Financiamento
"Financiamento é uma questão crucial no quadro das mudanças de
relações entre Estado e as instituições educacionais, especialmente as
públicas. As novas formas de financiamento apresentam algumas
características específicas e tão importantes que acabam dando o tom
aos conteúdos das reformas" (DIAS SOBRINHO, 2002, pg.172)
O financiamento é um dos pontos centrais para a mudança profunda
da educação e para que a universidade possa seguir seus caminhos de
forma autônoma.
Dados da ANDIFES indicam que no
período de 1995-2001, as 54 instituições federais de ensino superior
perderam 24% dos recursos de custeio (pessoal, água, luz, telefone) e
77% de recursos para investimentos em sala de aula, laboratórios,
computadores e acervo bibliográfico.
Nos últimos anos, a injeção de mais investimentos em educação
reverteu em grande medida este quadro, porém ainda não de forma
estrutural. Com a DRU (Desvinculação das Receitas da União), permanece
a retirada anual no orçamento da educação de cerca de R$ 7 bilhões e o
percentual do PIB investidos, não chega a 5%.
Nas privadas, a desregulamentaçã o do setor faz com que as
mensalidades aumentem abusivamente e sem qualquer possibilidade de
controle e transparência sobre as planilhas de custo.
Um
outro problema que enfrentamos é a forte influência do capital privado
nas universidades públicas através das fundações de apoio.
Um outro problema é a desvirtuação de recursos públicos através
das fundações privadas de apoio, em que não há transparência e gestão
pública. São recursos de estatais (Petrobras, Eletrobras, CNPq,etc) e
do SUS que são alocados nas fundações e de gestão privada. Essas
fundações privadas se apropriam dos espaços públicos, dos recursos
humanos e do conhecimento produzido a serviço da iniciativa privada e
de grupos com intereses restritos. Após a ocupação da UNB em 2008,
tivemos importantes conquistas na Regulação das fundações de apoio nas
universidades públicas, assim como o fim do repasse do orçamento do SUS
para as fundações, mas nosso objetivo é a extinção delas.
Nesses cinco anos acumulamos capacidade para hoje propormos
mudanças mais profundas para a universidade brasileira, compreendendo
prioritariamente que é fundamentalmente responsabilidade do Estado o financiamento da universidade brasileira.
Propostas:
- Para o pleno exercício da Autonomia Universitária: garantir novos patamares de investimento com a destinação de 10% PIB. Para além das medidas emergenciais, É preciso dar garantias para que a universidade goze da autonomia de gestão administrativa, didático-pedagó gica e financeira. A luta pela aplicação mínima de 75% do orçamento da educação na educação superior, caracterizando política de Estado.
- Novas fontes de financiamento: devemos perseguir novas formas de financiamento, como lutar pela vinculação de 50% da arrecadação com royalties do petróleo da camada pré-sal em educação pública
- Gestão financeira da universidade brasileira: é preciso transparência, controle público, abertura das planilhas das instituições privadas e gestão participativa e criação de Conselhos de Administração democráticos para garantir uma melhor aplicação dos recursos. O Fim das Fundações também passa por mecanismos de garantia de financiamento e participação da sociedade na gestão financeira.
- Pela retirada dos inativos das despesas com manutenção e desenvolvimento do ensino, garantindo os recursos do Tesouro Nacional para o pagamento desses servidores;
- Fim da DRU!
- Reestruturação dos HUs garantindo maior financiamento através do compartilhamento de responsabilidade com Ministério da Saúde e Ministério da Ciência e Tecnologia.
- Aplicação em infra-estrutura progressiva de 400 milhões até 2010, 1 bilhão até 2015 e 2 bilhões até 2020, num total mínimo de 3,4 bilhões de reais;
- Para a garantia de recursos humanos deverão ser aplicados até 2015 no mínimo 3 bilhões de reais, distribuídos pelos próximos 7 anos;
- Ou seja, expandir com qualidade requer o mínimo de 6,4 bilhões a mais no orçamento da educação pelos próximos anos.
- Pela aprovação do PL de mensalidades da UNE, que define a instalação de comissão paritária de negociação com representantes da instituição, permite a abertura da planilha de receitas e despesas da universidade, garante o direito à rematrícula dos inadimplentes e protege esses estudantes de abusos.
- Contra o SPC da Educação!
3. Democracia
O
conceito de autonomia para as instituições universitárias só é
plenamente possível se a tomada de decisão no seu interior for reflexo
de mecanismos mais avançados de debate, que dêem conta de envolver
todos os segmentos da comunidade acadêmica e a própria sociedade.
Hoje, esses mecanismos ainda não estão dados. Nas universidades
públicas ainda somos regidos por colegiados autoritários que tem
participação obrigatória de 70% de docentes e sequer pode-se eleger o
Reitor de forma paritária pela comunidade.
Nas Universidades pagas o autoritarismo é mais evidente. Na
maioria das instituições não existe qualquer discussão sobre escolha de
dirigentes, espaços coletivos que debatam o projeto político pedagógico
das instituições e dos cursos e os segmentos muitas vezes são
impossibilitados de ser organizarem em sindicatos ou entidades
estudantis.
Inibir a ampla participação da comunidade acadêmica e da
sociedade nos rumos da universidade significa torná-la frágil diante
dos interesses das mantenedoras e das fundações privadas, que definem
aplicação de investimento e destino de recursos sem passar pelas
instâncias de deliberação.
O processo de mercantilizaçã o da educação impede a
democratização das instituições privadas, seja pela não existência de
colegiados democráticos, seja pela limitação de liberdade acadêmica,
seja pela repressão à organização da comunidade. Já que nesses casos
prevalece ao interesse privatista, consistindo assim num forte ataque a
autonomia universitária e ao projeto de desenvolvimento na qual a
universidade deve estar inserida.
- Eleição direta para reitor nas universidades com eleição paritária! Pelo fim da lista tríplice!;
- Paridade em todos os órgãos colegiados com 1/3 para cada representação: discente, docentes e técnico-administrati vos;
- Livre organização estudantil e sindical com garantia de espaço para o funcionamento das entidades de participação;
- Definir que as mantenedoras não poderão exceder 20% da representação total dos colegiados, independente do cargo
- ou atividade que exerçam na instituição;
- Criação de câmaras comunitárias nas universidades que permita a participação da sociedade nas decisões das instituições.
4. Acesso
A juventude é a maior parcela da população brasileira, sendo
portanto, o setor que mais sofre com desemprego, violência, ausência de
políticas públicas e com a precariedade do acesso à educação. O caráter
elitista da universidade é uma das suas marcas mais difíceis e a mais
necessária de ser rompida.
O Brasil precisa de muitos braços, mentes e corações para
construir um caminho de crescimento soberano e com justiça social, e
para isso, não é mais possível perder a energia criativa de cada
criança que está fora da escola e das milhares que não chegam ao ensino
superior. A democratização da cultura, do acesso ao conhecimento é
essencial para a formação de indivíduos livres e críticos à serviço da
nação.
Um sistema de educação superior pode ser caracterizado por acesso
de elite se 15% da juventude de 18 a 24 anos estiver na universidade,
por acesso de massa se a parcela for de 15 a 40% e o acesso universal
acima de 40%. Países da Europa, EUA, Canadá, Coréia, dentre outros, já
alcançaram o patamar de um ensino superior de massa. No Brasil ainda
estamos na marca de 12,1%.
A nossa principal tarefa neste momento é reverter a lógica
privatista que predominou na educação brasileira, com forte ampliação
das vagas gratuitas no ensino superior através da interiorização das já
existentes, da expansão do ensino à distancia através da UAB
(Universidade Aberta do Brasil) e de uma nova regulamentação da
educação à distância. Através da duplicação das vagas gratuitas
oferecidas pelo PROUNI. No processo de ampliação deverão ocorrer
mudanças que incluam assistência estudantil aos bolsistas, que
possibilitem o acesso a informações, sobre bolsas de iniciação
científica e até os critérios para a perda de bolsa. Está ligado também
a qualidade do ensino nessas instituições e de seu controle social, só
possível a partir de uma regulamentação.
Precisamos garantir mudanças na forma de acesso à universidade. O
vestibular é um filtro sócio–econômico poderoso, que continuará
excluindo as parcelas mais populares da juventude. Temos que levantar a
bandeira do fim do vestibular e levantar ainda mais forte a bandeira da
reserva de vagas, seja lá qual for a forma de acesso.
- Atingir até 2020 a proporção mínima de 50% das vagas no ensino superior oferecidas na rede pública e gratuita;
- Duplicação das vagas gratuitas oferecidas na rede privada através do PROUNI – Programa Universidade para Todos;
- Isso representa 60% das vagas gratuitas no ensino superior brasileiro até 2020;
- Buscar a expansão qualificada do sistema público duplicando o número de alunos na graduação a cada 5 anos, com centralidade no curso noturno (atingir no mínimo 1 milhão e 200 mil matrículas em 2015 e 2 milhões e 400 mil em 2020);
- Ofertar 100.000 novas vagas nos cursos noturnos das IFES até 2020;
- Superar a desigualdade de oferta de vaga em cada estado da federação;
- Fim do Vestibular! Instituição de novo modelo democrático de ingresso no ensino superior que não se limite ao modelo meritocrático ao qual se baseia o vestibular;
- Pela implementação imediata do PL 73/99 que garante Reserva de Vagas para estudantes de escola pública, e Cotas para negros nas universidades públicas;
- Pela obrigatoriedade do ensino médio, garantindo com isso a responsabilidade do Estado em garantir vagas a todos os estudantes brasileiros, possibilitando assim um maior numero de jovens alcançarem o ensino superior;
- Responsabilizar as universidades pela qualidade do Ensino Médio brasileiro: Reforma do Ensino Médio e Profissionalizante;
- Ampliar a rede de Ensino Profissionalizante através dos IFET's e de vagas gratuitas no Sistema S;
- Criar mecanismos para ocupar 100% das vagas ociosas em cada semestre.
-
5. Assistência Estudantil
A
principal causa dos altos índices de evasão e retenção nas
universidades brasileiras é a condição sócio-econômica de parcela
significativa dos estudantes.
Falar em democratização do acesso ao ensino superior, pressupõe
um forte investimento em políticas públicas de assistência estudantil,
entendida não como uma política paternalista e sim como parte de um
projeto acadêmico articulado ao ensino-pesquisa- extensão. O objetivo
deve ser possibilitar a redução das desigualdades sociais e promover
melhores condições para o aprendizado e produção do saber.
Desde a retirada dos investimentos em assistência estudantil, por
parte do governo FHC, esta é uma reivindicação central do movimento
estudantil.
O reconhecimento por parte das nossas
autoridades de que assistência estudantil é parte fundamental de um
projeto educacional democrático é uma grande conquista da UNE.
O Plano Nacional da Assistência estudantil deve ter dotação
orçamentária própria e precisa ser vista como medida global apara
atender estudantes de baixa renda tanto das universidades públicas como
privadas. O Fundo que custeie a PNAES deve ser composto de 1,5% das
verbas da Educação e mais 1,5% da arrecadação das universidades
privadas a serem empregadas em bolsas de iniciação científica,
transporte, alimentação e material didático.
Os programas de assistência estudantil devem ser alocados por
demandas específicas de cada universidade, analisada a partir dos dados
sócio-econômicos de carência e seleção, controle e fiscalização pública
aos moldes do FIES e PROUNI.
PROPOSTAS:
- Criação de um Fundo Nacional de Assistência Estudantil que represente 1,5% das verbas da Educação acrescido de 1,5% da arrecadação das Instituições privadas de ensino superior;
- O Plano Nacional de Assistência Estudantil deverá garantir aos estudantes carentes das universidades públicas e pagas acesso à alimentação, transporte, iniciação científica e material didático;
- Criação em todas as universidades as Pró-Reitorias de Assistência estudantil, assegurando uma instância responsável por essas políticas com financiamento específico;
- Criar, manter e ampliar programas que garantam a alimentação dos estudantes das públicas e pagas, através de bandejões que permita uma vivência maior do estudante no espaço da universidade e bolsas de auxílio alimentação;
- Ampliação de programas acadêmicos remunerados estimulando a inserção de estudantes nas atividades de ensino-pesquisa- extensão;
- Política de transporte através de passe estudantil em todo o país;
- Disponibilização de equipes multidisciplinares e interdisciplinares para atendimento médico e psicológico dos estudantes;
- Investimento nas bibliotecas universitárias, com ampliação de acervo, da capacidade, do horário de atendimento e da viabilização de novas técnicas de acesso à informação;
- Ampliação de programas culturais, esportivos e de lazer para as comunidades internas e externas à universidade;
- Desenvolver políticas e ações de inclusão digital;
- Implementar políticas de acesso à línguas estrangeiras para estudantes;
- Criação de programa de emprego para estudantes e recém- graduados;
- Ampliação e fortalecimento da Ouvidoria da UNE para todo o país garantindo auxílio aos estudantes;
- Constituição de Ouvidoria nas Universidades, com eleição direta pela comunidade, de forma a perceber as principais demandas dos estudantes;
- Realizar pesquisa a cada quatro anos para identificar perfil sócio econômico e cultural dos estudantes brasileiros;
- Construção de creches nas universidades;
- Criar condições básicas para atender os estudantes portadores de necessidades especiais.
6. Regulamentação do Ensino Privado
A
história da educação no Brasil sempre foi a história da luta entre o
interesse privado e o público e o grande desequilíbrio entre esses
setores evidencia quem se beneficiou principalmente a partir dos anos
90.
A baixa qualidade de ensino na maioria
dessas instituições é notória. 43% das universidades privadas não
respeitam a legislação que exige que 1/3 do quadro docente trabalhe em
regime de dedicação exclusiva, mantendo grande parte do corpo com
professores horistas, que além de mal remunerados e não conseguem se
dedicar as atividades de ensino-pesquisa- extensão.
A maioria delas não conta com bibliotecas adequadas, as salas são
superlotadas, tem produção científica bastante limitada e não
proporciona espaços de debate entre a comunidade acadêmica sobre os
objetivos político-pedagó gicos da universidade, impedindo inclusive a
organização dos estudantes, funcionários e professores.
Uma novidade tem sido a adoção do modelo instituição baixo custo,
baixa mensalidade (os chamados programas de redução de mensalidades) .
O que se verifica na prática é que embutida na redução de mensalidade,
vem também a redução de qualidade com parcos investimentos em
infra-estrutura, biblioteca, pesquisa e corpo docente. Além de causar a
quebradeira de diversas universidades privadas de qualidade, mas que
tem mensalidades mais caras.
Outro absurdo que vemos acontecer é a compra de instituições
privadas pelo capital estrangeiro, como também a financeirizaçã o
através da venda de ações na bolsa de valores , o que retira todo o
sentido estratégico da educação e a deixa a mercê das mãos invisíveis
do mercado. Com a desnacionalizaçã o da educação, perdemos o controle
sobre as universidades, além de ficarmos desprotegidos de qualquer
alteração feita pela mantenedora estrangeira.
Por isso nossa luta passa por estabelecer marcos regulatórios
para limitar a atuação da iniciativa privada e colocá-la a serviço da
sociedade. A busca por uma educação pública passa por manter o controle
público sobre essas instituições, tarefa que vêm se demonstrando das
mais difíceis e que menos temos avanços concretos, devido ao forte
poder e influência do setor.
Propostas:
- Controle público sobre o ensino privado: reconhecimento do ensino superior como um bem público e a exploração privada como uma concessão do Estado, que deve ter a obrigação de regular, fiscalizar e garantir a qualidade do ensino;
- Criação de marcos regulatórios que caracterize o que é Universidade, Centro universitário e Faculdade;
- Absorção dos estudantes, prejudicados pela falência de instituições privadas , pelo sistema público;
- Contra a mercantilização e desnacionalizaçã o da educação!!! Implementação imediata de lei que restrinja a participação do capital estrangeiro nas universidades privadas e a venda de ações das instituições educacionais na bolsa de valores;
- Existência de órgãos colegiados paritários com limitação a participação a 10% de representantes de mantenedoras;
- Ensino tem que ter qualidade! Garantia de unidades acadêmicas por curso que garantam os interesses pedagógicos acima dos mercadológicos na contratação de docentes e discussões curriculares;
- Eleição direta para reitor.
7. Reestruturação Acadêmica
Reformar
a Universidade profundamente passa por repensar as bases sob a qual ela
está erguida. Torna-se imperativo a reformulação da sua estrutura
interna de organização acadêmica que hoje não se identifica com os
principais desafios da nossa sociedade, ou seja, pouco se enxerga num
projeto de Nação soberana.
A cena que temos é a de uma universidade composta de diversos
feudos acadêmicos desconexos entre si, de professores que se contentam
em se encastelar nos seus programas de pós-graduação, responsáveis
apenas por uma determinada área do saber, e que na graduação se limitam
ao processo de ensino-aprendizagem apoiado somente em aulas expositivas
de repetição de conteúdos e recepção passiva pelos estudantes. De
alunos que não têm mobilidade de transitar pelas diversas áreas do
conhecimento possíveis na universidade devido a essa inexistência de
diálogo entre esses campos.
Associado a isso, vem a discussão sobre a implantação de ciclos
básicos na graduação. Primeiramente porque defendemos a formação de
cidadãos críticos e capazes de intervir em sua realidade e não
meramente mão de obra para o mercado. Sendo assim, o ciclo básico seria
uma instância voltada para uma formação mais humanista e generalista,
buscando interdisciplinarida de e a criatividade.
Seu caráter fragmentado e extremamente voltado à
profissionalizaçã o é aprofundado com a criação dos departamentos e do
incentivo à pesquisa através das agências de fomento à pesquisa, por
fora das estruturas de financiamento das universidades, fruto da lógica
tecnicista impressa pela Reforma de 68, dos acordos MEC/USAID, e que
permanece até hoje.
A produção de ciência e de desenvolvimento tecnológico pressupõe
um olhar crítico sobre o mundo e os fenômenos, que só é possível dentro
de uma educação que apresente uma visão global sobre os processos e
sobre o próprio conhecimento.
Por isso, romper com as amarras da estrutura departamental,
significa abrir possibilidades de entrelaçar áreas do saber e descobrir
novas possibilidades de produção científica.
Segundo,
porque a perspectiva aberta de ampliação do ensino superior irá exigir
da universidade um esforço em ajudar a nivelar os diferentes patamares
de formação escolar e cultural que se conflitarão mais intensamente no
seu interior a partir de um conhecimento mais propedêutico.
- Fim dos departamentos!
- Pela Constituição de ciclos básicos!
- Reestruturação do corpo docente que garanta maior circulação destes entre a graduação e pós graduação, com ampliação como mecanismo integrador do ensino;
- Reestruturação curricular que garanta maior transdisciplinarida de aos currículos;
- Atribuição de créditos visando a integralização curricular de atividades extra-sala-de- aula, como os estágios de vivência;
- Estabelecimento de novos paradigmas e métodos de ensino, rompendo com a antiga fórmula da unilateralidade na relação professor-aluno de transmissão de conhecimento, entendendo todos os segmentos da comunidade acadêmica como iguais contribuintes no processo de construção de políticas acadêmicas e do conhecimento em aulas interativas e participativas;
- Estimular e formular programas de intercâmbio em âmbito regional, nacional e internacional entre universidades, promovendo mobilidade estudantil e cooperação entre acadêmicos e pesquisadores de outras vivências;
- Ações que promovam desenvolvimento cultural, científico e tecnológico possibilitando uma maior interação do saber teórico e saber prático e interação com o mundo do trabalho;
- Paridade na representação de todas as unidades acadêmicas.
8. Ensino Profissional e Tecnológico
De
forma geral a educação profissional e tecnológica, historicamente no
Brasil, cumpre papel restrito à qualificação de mão de obra para as
relações de produção capitalistas vigentes. Reproduz uma lógica dual,
em que aos detentores do capital se oferece a educação abstrata e
academicista e aos trabalhadores a educação meramente instrumental para
o trabalho.
No Brasil, cerca de 2 milhões de jovens entre 15 e 17 anos se
encontram fora da escola, ou por motivos de incorporação no mercado de
trabalho para garantir sobrevivência ou por não criar com o ambiente
escolar a identidade, necessária para que permaneça até o fim de seus
estudos. Sendo assim, a educação desde o ensino básico ao superior,
deve estar intimamente ligado à realidade e as necessidades do nosso
povo.
A educação profissional e tecnológica deve apontar para o resgate
da compreensão não só dos meios de produção em cada momento histórico,
mas também as relações sociais e políticas que se estabelecem na
sociedade, de forma que o trabalhador tenha domínio da técnica e
conhecimento sobre o que produz.
Para isso, é necessário fortalecer a área da formação
profissionalizante, através de um Sistema de Educação Profissional e
Tecnológico em todos os níveis, como parte estruturante de uma política
consistente de desenvolvimento e inovação tecnológica e parte do
Sistema Nacional de Educação que lutamos para constituir.
Precisamos garantir uma política de financiamento que rompa com a
atual lógica fragmentada e vulnerável às oscilações do mercado, que
utiliza diversos fundos para seu custeio. É fundamental o poder público
assumir a EPT e criar um Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação
Profissional e Tecnológica (FUNDEP) garantindo fonte fixa e perene de
financiamento, ou seja, autonomia para o desenvolvimento científico.
Necessitamos de currículos integrados, que privilegiem além da
especialização, a formação crítica, humanizante e teórica dos
trabalhadores. Também requer a formação de um contingente grande de
docentes para erguer essa rede e que alimente o próprio sistema a
partir da formação de professores. Devem cumprir o papel de desenvolver
programas de iniciação cientifica para pesquisa básica, construindo o
percurso para despertar em mais jovens o espírito investigativo e
crítico, que criem em seus imaginários a possibilidade de serem
pesquisadores.
- Criação Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação Profissional – o FUNDEP, de forma a unificar os diversos fundos e programas de financiamento da área;
- Ampliação do ensino superior profissionalizante através dos IFET's e Sistema S
- Criar bolsas de pesquisa e extensão para ensino tecnológico e IFET's;
9. Pesquisa
Defendemos
uma ciência humanista, comprometida com a geração e distribuição de
riquezas, com agenda voltada à resolução de problemas ligados às
demandas populares e tipicamente brasileiros, portanto, negamos a
existência de uma "ciência neutra", distante desses objetivos
desenvolvimentistas e de construir uma sociedade mais justa.
O baixo desempenho do Brasil na área, está ligado diretamente ao
reduzido investimento financeiro, que gira em torno de 1% do PIB, a
nossa estrutura educacional que pouco estimula o despertar da juventude
para as ciências e experimentações e os poucos campos para trabalho na
área.
Para mudar este quadro é necessário elevar o número de cientistas
nas mais diversas áreas, ampliar a infra-estrutura para a pesquisa
científica através de aquisição de equipamentos, apoio ao pesquisador e
estudantes, laboratórios nacionais e centros temáticos de pesquisa em
assuntos estratégicos para o desenvolvimento definido pelo Estado.
É necessário buscar maior versatilidade para os programas de
pós-graduação e integração com a graduação para a formação de
habilidades mais diversificadas e políticas governamentais que dêem
empregabilidade a bacharéis, mestres e doutores da área de pesquisa
tecnológica, para ampliar o interesse de jovens para a área e evitar a
fuga de cérebros para outros países, onde são altamente requisitados.
PROPOSTAS:
- Ampliação e aperfeiçoamento do sistema de pós-graduação para formar recursos humanos voltados às necessidades de desenvolvimento tecnológico do país;
- Incentivo à criação de pólos regionais de alta tecnologia;
- Reforço do ensino de matemática e de ciências na educação básica com ênfase nas atividades de laboratório;
- Criação de instituições de instituições de pesquisa cientifica e tecnológica para a execução de projetos estratégicos;
- Obrigatoriedade da pesquisa nos currículos;
- Ampliação da pós-graduação, com íntimo vínculo com a graduação e garantia de triplicação das bolsas de iniciação científica nas universidades.
10. Extensão
Na universidade brasileira é comum
observar o discurso da valorização do chamado tripé: ensino, pesquisa e
extensão. Contudo, observa-se na pratica uma priorização das atividades
de ensino e pesquisa, em detrimento das atividades de extensão. Este
processo se dá devido uma visão desvirtuada do papel social da
universidade e do processo de produção de conhecimento.
Não obstante, observa-se ainda, que a grande maioria dos
programas de extensão desenvolvidas nas IES, apresentam um caráter
assistencialista e tecnicista, não dialogam no sentido da superação das
dificuldades estruturais da sociedade brasileira, da valorização do
potencial e do saber popular e não apresentam soluções consistentes dos
problemas diagnosticados em comunidades carentes.
Aliado a este processo, a real articulação entre ensino, pesquisa
e extensão é praticamente inexistente e a política de financiamento das
atividades de extensão é insuficiente, limitando a capacidade das IES e
do atendimento das demandas sociais.
Faz-se urgente o nosso debate sobre educação popular. Uma
educação que além de garantir o acesso e a permanência nas
universidades, possa desconstruir alguns conceitos presentes em nossa
formação. Educação popular é a democratização da universidade em todos
os níveis, principalmente na participação massiva e igualitária da
comunidade universitária na definição dos rumos que a universidade deve
tomar. E, mais do que isso, educação popular é fazer com que todo
conhecimento produzido na universidade, seja produzido de forma a
estabelecer dialogo com as demandas sociais presentes na contradição da
nossa sociedade.
As pesquisas devem ser produzidas para e com o povo, para que de
fato a extensão universitária seja um tripé indispensável para a
formação universitária e para a produção do conhecimento. Precisamos
fortalecer a extensão popular como instrumento de mudança da lógica
capitalista na universidade, contribuindo para que a população possa
exercer influencia na produção do conhecimento, e que este seja
produzido para atender e proporcionar alternativas para uma sociedade
justa e soberana, com desenvolvimento sustentável e qualidade de vida.
Defendemos uma Universidade criadora e popular. Uma Universidade
que seja capaz de dialogar com os diversos segmentos da sociedade
brasileira e que apresente soluções concretas a problemas reais.
Problemas estes mais sentidos pelas parcelas marginalizadas da nossa
sociedade. Defendemos uma atividade de extensão que valorize a "troca"
de saberes. O dialogo entre o conhecimento formal sistematizado e o
conhecimento popular transmitido por atores sociais antes invisíveis na
sociedade brasileira
Propostas:
- Garantia de carga horária mínima de atividades de extensão nas grades curriculares dos cursos de graduação;
- Garantia de recurso de financiamento a atividades de extensão em instituições federais como CAPES e CNPQ;
- Ampliar atividades de extensão em áreas de grande pertinência social.
11. Educação à Distância
Com
o avanço das novas tecnologias de informação, o ensino à distância
ganhou uma nova dinâmica em escala mundial, podendo dar grandes
contribuições no sentido de se pensar novos métodos de
ensino-aprendizagem.
Em diversos países, principalmente os que se encontram em estágio
tardio de desenvolvimento, essa modalidade têm sido muito importante
para a ampliação da educação superior, como o caso de Cuba e Venezuela.
No Brasil, o processo não têm sido simples. Valorizamos a
experiência da UAB, promovido no âmbito das universidades públicas para
a garantir uma maior capilaridade da educação superior com qualidade.
Por outro lado, não podemos permitir que universidades se utilizem da
possibilidade de ter 20% das grades curriculares à distância, para
reduzir custos, demitir professores e ministrar disciplinas
obrigatórias integralmente à distância.
Por isso, é necessário estabelecermos parâmetros de regulação e
controle público desta expansão delimitando bem sua função, seus
limites e sua qualidade. Qualquer medida deve passar por alteração da
LDB e do Decreto nº6303 que regulamenta a modalidade no Brasil.
Propostas:
- Inclusão somente do Ensino Profissionalizante, de requalificação profissional e formação continuada na modalidade à distância;
- Discussão pública sobre cursos de licenciatura à distância;
- Estabelecimento de cartilha que aponte as carreiras profissionais que podem ser realizadas à distância, evitando a simples exploração privada de oferta de cursos sem qualidade, mercado profissional e relevância social;
- Ampliação do Programa Universidade Aberta do Brasil (UAB);
- Garantia do regime semi-presencial na educação à distância. Obrigatoriedade de no mínimo 30% do currículo na modalidade semi-presencial;
- Estabelecimento de um sistema de avaliação para controle da qualidade e da oferta de vagas na educação à distância;
- Nos cursos presenciais, a educação à distância só pode ser utilizada em disciplina eletiva.
12. Universidades estaduais e autarquias
Prevalece
por todo o país uma lógica perversa para os estudantes das
universidades estaduais e autarquias. O quadro que temos hoje é de
completa ausência de políticas púbicas que garantam qualidade, a
permanência e fundamentalmente a gratuidade nestas instituições. E
apesar de serem hoje responsáveis por grande parte da interiorização da
educação superior nos estados, a falta de investimentos leva a
precariedade e sucateamento da maioria dessas universidades.
Precisamos estabelecer um sistema de integrado de educação
superior que dê conta de pensar o financiamento globalmente, com
cooperação dos governos municipais, estaduais e federal.
Propomos:
- Garantia do financiamento público e da gratuidade nas universidades estaduais e municipais;
- Na incapacidade dos estados e municípios garantir esses pressupostos, defendemos a federalização de tais instituições dentro do processo de ampliação radical das vagas gratuitas no ensino superior na próxima década;
- Contra cobrança de mensalidades nas universidades públicas.
13. Avaliação Institucional – Em defesa da implementação integral do SINAES
Após
derrotarmos o antigo método de avaliação da educação superior
implementada por FHC, o Provão, temos uma oportunidade de constituir um
outro processo avaliativo no país.
O Sinaes se constituiu num grande avanço na concepção do que
deva ser uma avaliação institucional. Que pensa não só a partir da
avaliação dos estudantes, mas também de perceber todos os elementos que
contribuem na sua formação.
Dentre eles avaliação das instituições no que diz respeito à
estrutura de biblioteca, laboratórios, currículos, titularidade dos
professores, produção científica, assistência estudantil, e outros mais.
No
entanto nosso desafio é fazer com que esse processo se aprimore cada
vez mais e garantir de fato sua implementação na integralidade, tanto
do ponto de vista da avaliação interna quanto à externa das
instituições.
Propomos:
- Diminuição do peso do ENADE na avaliação e ampliar a influencia da opinião estudantil sobre a instituição, seu curso e quadro docente;
- Pela
constituição das CPA's (Comissões Próprias de Avaliação) em todas as
universidades e com assento estudantil indicada por suas entidades de
representação;
- Pelo fim da vinculação da realização do ENADE com a expedição do Diploma, o estudante já cumpriu seu currículo e carga horaria mínima para conclusão do curso.




