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8 de março: pelo direito das mulheres viverem a juventude!

Artigo escrito por Ana Cristina Pimentel, diretora de mulheres da UNE (gestão 2007-2009) e Secretária Estadual da Juventude do PT Minas Gerais

Faz 100 anos que o   “8 de março”  é o dia de luta das mulheres.  Existem diversas histórias relacionadas a essa data. O mais comentado é um possível incêndio em Nova York ,  greve por mais direitos. O fato é que tratou-se de uma opção política das mulheres socialistas, em Congresso, unificando um dia de luta.
A data ultrapassou  grandes momentos, encabeçou muitos enfrentamentos políticos, sociais e econômicos.  Superou desafios, acumulou conquistas e direitos.  Aos 100 anos, podemos dizer, muita coisa mudou. Podemos apontar que a vida das mulheres sofreu uma grande transformação.

Mas sigamos com cautela, não é tempo de comemorações.

Sabemos que as desigualdades permanecem. E hoje também é dia de darmos destaque e visibilidade aos dados alarmantes. O globo noticiou no “oglobo.com”: “Mais qualificadas, mulheres continuam ganhando menos que os homens, diz IBGE”. Mais precisamente, as mulheres recebem “72%” do salários dos homens, em média. No jornal de domingo, no caderno “Boa Chance”, a manchete diz “Explode o assédio. Denúncias cresceram 723% no Rio nos últimos 5 anos”. Sabemos que não trata-se de uma questão regional.

Nesse mesmo sentido, os casos de abortos clandestinos – e mortes relacionados aos mesmos – permanecem subindo; as mulheres continuam responsáveis solitárias pelo trabalho “doméstico”.  A violência contra a mulher ainda existe e é praticada por membros de sua própria família.  As mulheres permanecem excluídas dos espaços de decisão e poder da sociedade. 

Bom, precisamos também falar da tão aclamada e desejada “feminilidade”.  Tal termo está relacionado a um modelo existencial para todas as mulheres, mas dirige-se notadamente às mulheres jovens. Constrói uma rede de exigências para se chegar ao título “feminina”, que pretende-se ideal de todas.  Para além da estética, envolve um comportamento determinado. 

Quase uma fantasia. Elas  precisam se “vestir” daquilo que é esperado delas. Precisam correr o dia todo,  dar conta do estudo associado ao trabalho.  Devem andar mascaradas – ops! Muito maquiadas – além  de utilizarem todos os tipos de apetrechos necessários para se transformarem verdadeiramente em “mulheres jovens”.   Afinal de contas, ser mulher jovem é uma construção social definida pela quantidade de cosméticos, utensílios estéticos e disponibilidade para o desejo, principalmente sexual, do outro. Ah! Sim... com muito rosa, pois essa é a cor da “feminilidade”. 

A realidade é dura e opaca.  Está em oposição à  plastificação estética exigida. Não vem revestida. As mulheres jovens são maioria no emprego precarizado, postos temporários, setor de telemarketing, profissões relacionadas a estética, setor terciário.  Assumem cada vez mais novas o trabalho doméstico. A gravidez precoce permanece uma questão nas suas vidas.  

Em razão desse contexto, vivem em constante insegurança. Suas vidas também são marcadas por uma permanente insatisfação e ansiedade, diante das exigências inalcançáveis. Não disponho de estatísticas, mas cada dia “novas” doenças surgem, diretamente relacionadas às mulheres. A bulemia, anorexia e transtornos de ansiedade  são bons exemplos. 

Abriram-se novas perspectivas, desde 2002, com o governo Lula.  A juventude tornou-se um direito. E, nesse 8 de março, queremos afirmar o direito das mulheres viverem a juventude!  Aos 100 anos reafirmamos que o desafio para a construção da igualdade permanece político. 

Defendemos uma agenda que caminhe progressivamente pela postergação da entrada das mulheres jovens ao mercado de trabalho,  acesso à educação, à cultura e saúde.  Para tanto,  alguns passos são fundamentais: uma efetiva política de assistência estudantil; creches;  meia entrada para toda a juventude;  legalização do aborto.  Tudo isso combinado com uma política efetiva de inclusão das mulheres em todos os espaços de direção política. 

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