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Entrevista com Tica Moreno da Marcha Mundial das Mulheres

Reproduzimos a entrevista feita pela militante da Kizomba, Caroline Bernardo, com Tica Moreno. Tica Moreno é formada em Ciências Sociais, foi do DCE da USP e do Centro Acadêmico de Ciências Sociais (CEUPES). Atualmente trabalha na Sempreviva Organização Feminista, SOF. Tica é militante da Marcha Mundial das Mulheres.

Carol Bernardo: Tica primeiramente explique para os nossos(as) leitores(as) um pouco sobre a Marcha Mundial das Mulheres, MMM.

Tica Moreno: A Marcha Mundial das Mulheres é um movimento feminista e anti-capitalista com presença em cerca de 150 países e territórios. Surgiu em 2000, como uma grande mobilização contra a pobreza e a violência sexista, e a partir de então se enraizou cada vez mais em várias partes do mundo, conectando as lutas locais das mulheres com uma luta internacional pela transformação do mundo. Entre nossos princípios estão a organização das mulheres urbanas e rurais a partir da base e as alianças com movimentos sociais. A Marcha busca construir uma perspectiva feminista afirmando o direito à auto-determinação das mulheres e a igualdade como base da nova sociedade que lutamos para construir.

Carol : Bom qual é o intuito da 3º ação internacional da marcha?

Tica: A cada 5 anos a MMM organiza ações internacionais, mobilizando as militantes de todo o mundo em torno de uma agenda comum. Em 2000 foi a luta contra a pobreza e a violência sexista. Em 2005, foi a apresentação da Carta Mundial das Mulheres para a Humanidade, que afirmava o mundo que nós queremos construir, baseado nos princípios de Igualdade, Justiça, Liberdade, Paz e Solidariedade. A carta passou por todos os países em que a marcha estava organizada. Neste ano de 2010, o eixo da ação é “Seguiremos em Marcha até que todas sejamos livres”.

O objetivo de organizar marchas é, primeiro, celebrar os 100 anos de proposição do 8 de março como um dia internacional de luta das mulheres. Além disso, pretendemos demonstrar a força das mulheres organizadas e nossos acúmulos nos últimos 10 anos.

No Brasil, a ação acontecerá entre os dias 8 e 18 de março e será estruturada no formato de uma marcha, que vai percorrer o trajeto entre as cidades de Campinas e São Paulo. Será uma grande atividade de denúncia, reivindicação e formação, que pretende dar visibilidade à luta feminista contra o capitalismo e a favor da solidariedade internacional, além de buscar transformações reais para a vida das mulheres brasileiras.

Carol: Como estão os preparativos?

Tica: Nós já fizemos duas reuniões nacionais, que aprofundou o debate sobre os conteúdos da ação, e também definiu o formato. Agora estamos no momento de mobilização. Os estados estão fazendo várias atividades de formação e também de arrecadação financeira, para garantir o transporte de todas.

Além disso, estamos pensando como organizar a passagem da marcha no trajeto, com a batucada, atos e atividades de formação, e também estamos organizando toda a parte de infra-estrutura, segurança, alimentação, saúde e comunicação.

Carol: Quantas mulheres são esperadas?

Tica:Estamos esperando 3 mil mulheres, organizadas em delegações de todos os estados em que a MMM está presente.

Carol: Durante a marcha como irá acontecer os espaços de formação?

Tica: Depende da cidade. Em alguns lugares, as atividades de formação vão ser organizadas com grandes debates, em outras, serão oficinas menores. A equipe de formação ainda não definiu a estrutura de cada dia, e está trabalhando junto com a equipe de cultura. Mas a idéia central é que a gente marcha pela manhã, e participe da formação pela tarde.

A formação será em torno dos 4 campos de ação da MMM (trabalho e autonomia econômica, bens comuns e serviços públicos, violência contra a mulher, paz e desmilitarização). Dentro de cada campo se ação vários temas que estão no cotidiano da marcha aparecem, como nossa ofensiva contra a mercantilização do corpo e da vida das mulheres, a legalização do aborto, pela valorização do salário mínimo, etc.

Carol: Teremos algum ato a ser realizado durante a longa caminhada?

Tica: Além do ato de abertura e encerramento, vamos fazer um ato grande no sábado, que vai ser o dia que vamos estar em Várzea Paulista. Por ser um final de semana, a expectativa é que a gente conte com outras companheiras de São Paulo, as que não conseguirem se liberar do trabalho para marchar durante os 10 dias.

E em algumas cidades vamos entrar com a batucada feminista.

Carol: Tica, me conta como serão os atos de abertura e encerramento?

Tica: O ato de abertura será em Campinas e a nossa expectativa é mobilizar as mulheres do estado de São Paulo e da região de Campinas em particular, além das 3 mil que vão marchar os 10 dias. E ainda não fechamos o formato do ato em São Paulo. Mas o que temos certeza é que nos dois atos, vamos ter a maior batucada feminista da história!

Carol: Quais os estados que já confirmaram presença?

Tica: Eu acho que não lembro de todos, mas vamos lá:  Alagoas, Amapá, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espirito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Pará, Paraíba, Paraná, Pernambuco, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Rondônia, São Paulo, Sergipe, Tocantins.

Carol: Tica e internacionalmente quais serão as ações que estão programadas?

Tica: Então, a 3ª ação internacional será concentrada em dois períodos, de 8 a 18 de março e de 7 a 17 de outubro, e contará com mobilizações de diferentes formatos em vários países do mundo. Nós do Brasil vamos fazer nossa marcha no primeiro período. Em outubro, será marcado por ações simultâneas, com um ponto de encontro em Sud Kivu, na República Democrática do Congo. O objetivo deste momento é expressar a solidariedade internacional entre as mulheres. Além disso, cada região do mundo vai fazer uma ação comum. No caso das Américas, vai ser uma grande ação na Colômbia em frente a uma base militar dos Estados Unidos, denunciando a militarização do nosso continente e a violência contra as mulheres que se acentua nesses contextos.

Carol: Manda um recado pra finalizar nossa conversa

Tica: Acho que nosso eixo “Seguiremos em marcha até que todas sejamos livres” é o melhor recado, porque mostra que nosso feminismo é pra todas, não só pra algumas.

Fonte: http://carolinebernardo.blogspot.com
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